“Quando se tem menos de 18 anos, dizer que se encontra amando alguém parece fazer parte de um simples delírio adolescente, mas não é. Ora, não sou adulta, cheia de contas para pagar, não tenho filhos, uma reputação para manter. Também não tenho conta no banco, nem um carro para abastecer aos finais de semana. Nunca infligi a lei, tampouco passei uma noite na cadeia. Os atingidos pela maturidade me rotulariam ‘como quem está na vida á passeio’, mas eu, particularmente me vejo de outra forma. Se aquilo não foi amor, foi tão cruel quanto um de verdade. Não enfrentei um divórcio conturbado, nem tive de tomar antidepressivos para me manter de pé diante dos outros, mas foi de um efeito devastador dentro de mim. Posso não ter completado a minha idade padrão que a sociedade impõe para amar, mas sei que o que eu senti foi de extrema verdade. Me entreguei como quarentona solteira, que finalmente pareceu encontrar alguém. Amei como os textos do meu escritor favorito descreviam. Prometi como um adolescente promete largar a internet para a mãe. Fui inconsequente, mesmo sendo consciente. Errei quando achei que seu sorriso fosse a porta aberta para o teu coração. Eu não moro debaixo de uma ponte, não passo fome, não devo milhões ao banco, muito menos tive uma gravidez arriscada, mas posso dizer que me envolver com você trouxe grandes problemas. Dificuldades que eu escondo como sorrisos, com roupas bonitas e olhares brilhantes, porque me acho incapaz de competir com os problemas citados, com a realidade do mundo. Sei o quanto foi difícil, sei o quanto é difícil, mas me sinto sem voz para extravasar a minha dor. Você é um tremendo de um traste, e eu odeio seu beijo ser tão maravilhoso, e seu jeito ser tão hipnotizante. Dizem por aí que eu não completei os 18, que eu não sei o que é amar, que eu não sei o que são problemas. Pena que os dizeres deles não correspondem com as marcas que você deixou antes de eu ser maior de idade. Sei que não sou tão responsável como um adulto seria, não sou tão séria como a vida cobra que sejamos, mas amar você foi a coisa mais adulta e mais dolorida que eu pude fazer. Sei que eles não me entenderiam ou jamais poderiam voltar à adolescência para viver aos seus limites e é por isso que não ligo para o que pensam sobre nós. Sei que muitos que se consideram adultos, ririam de mim se soubesse o quanto te amei, mas no fundo, sei também que a suposta maturidade deles, faz com que eles sejam quadrados e pensem que o mundo é obrigado à ser como eles foram nas suas juventudes. Ou pelo menos dizem que foram.”
sábado, 10 de março de 2012
“Quando se tem menos de 18 anos, dizer que se encontra amando alguém parece fazer parte de um simples delírio adolescente, mas não é. Ora, não sou adulta, cheia de contas para pagar, não tenho filhos, uma reputação para manter. Também não tenho conta no banco, nem um carro para abastecer aos finais de semana. Nunca infligi a lei, tampouco passei uma noite na cadeia. Os atingidos pela maturidade me rotulariam ‘como quem está na vida á passeio’, mas eu, particularmente me vejo de outra forma. Se aquilo não foi amor, foi tão cruel quanto um de verdade. Não enfrentei um divórcio conturbado, nem tive de tomar antidepressivos para me manter de pé diante dos outros, mas foi de um efeito devastador dentro de mim. Posso não ter completado a minha idade padrão que a sociedade impõe para amar, mas sei que o que eu senti foi de extrema verdade. Me entreguei como quarentona solteira, que finalmente pareceu encontrar alguém. Amei como os textos do meu escritor favorito descreviam. Prometi como um adolescente promete largar a internet para a mãe. Fui inconsequente, mesmo sendo consciente. Errei quando achei que seu sorriso fosse a porta aberta para o teu coração. Eu não moro debaixo de uma ponte, não passo fome, não devo milhões ao banco, muito menos tive uma gravidez arriscada, mas posso dizer que me envolver com você trouxe grandes problemas. Dificuldades que eu escondo como sorrisos, com roupas bonitas e olhares brilhantes, porque me acho incapaz de competir com os problemas citados, com a realidade do mundo. Sei o quanto foi difícil, sei o quanto é difícil, mas me sinto sem voz para extravasar a minha dor. Você é um tremendo de um traste, e eu odeio seu beijo ser tão maravilhoso, e seu jeito ser tão hipnotizante. Dizem por aí que eu não completei os 18, que eu não sei o que é amar, que eu não sei o que são problemas. Pena que os dizeres deles não correspondem com as marcas que você deixou antes de eu ser maior de idade. Sei que não sou tão responsável como um adulto seria, não sou tão séria como a vida cobra que sejamos, mas amar você foi a coisa mais adulta e mais dolorida que eu pude fazer. Sei que eles não me entenderiam ou jamais poderiam voltar à adolescência para viver aos seus limites e é por isso que não ligo para o que pensam sobre nós. Sei que muitos que se consideram adultos, ririam de mim se soubesse o quanto te amei, mas no fundo, sei também que a suposta maturidade deles, faz com que eles sejam quadrados e pensem que o mundo é obrigado à ser como eles foram nas suas juventudes. Ou pelo menos dizem que foram.”
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