Ela esfriou. Diria que congelou. Aquela antiga menina meiga não existe mais. A moça era forte e inabalável. Não era mais alvo de risos e apelidos do tipo ingênua, boba, idiota ou até mesmo iludida. Fingia dores, amores para benefício de si própria. Magoava a quem um dia magoara-a. Engoliu a dor e seguiu em frente como sempre fazia. Fez se esquecer da dor e todos os sentimentos vazios e tornou-se oca. Literalmente oca. Agora quem tem o poder sobre as mãos é ela. Não acreditava mais em simples palavras, precisariam de belas desculpas para persuadi-la, sorrisos amarelados já não preenchiam mais o seu dia, fingir que estava bem já não era mais preciso. Ela estava cansada de sempre, magoada pelas mesmas pessoas, de ter um coração quebrado. Crueldade, não é justo. Tinha dado uma chance a si própria, de se olhar pra dentro e perceber que algumas coisas tinham que mudar, que era preciso dá um basta em toda aquela tristeza. A menina cansou de ser machucada, e passou a machucar. Deglutia tuas dores no café da manhã com um vasto sorriso maquiavélico estampado no rosto angelical e olhos negros entupidos de delineador. Fitava todos as sua volta com um olhar amargo e impassível, fez-se um iceberg ambulante, uma rocha feita de carne e osso. Não adiantava querer mudá-la de uma hora para outra, não obedecia regras, fazia tua própria lei sendo guiada pelo ódio, rancor e o orgulho ferido caminhando de mãos dadas pelo parque. Quando abria boca para falar escorria o veneno de sua acidez. Era limão dentro dos olhos debaixo do sol ao meio-dia. Era amarga. Era café sem açúcar. Do doce de menina fez se amargura, molhou te coração e deixou de molho até todo o açúcar se dissolver totalmente na água, temperou-o com o limão e o expôs ao sol, assim se fez o novo coração azedo e manchado, assim se sucedeu a nova moça, doída, amarga e fria
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