domingo, 19 de fevereiro de 2012

Não é flor que se cheire, já dizia sua mãe, completamente difícil de lidar, garota de personalidade forte. E quando colocava uma coisa na cabeça, não tirava de jeito nenhum. Teimosa até não poder mais. E se queria, queria logo, nada de demora com ela. Sempre foi assim ou oito ou oitenta, nada de meio termo. Perfeccionista em tudo que fazia, se não estivesse perfeito não lhe satisfazia. Moça dos vestidos floridos e da alma bela, por fora parecia um doce de menina, educada, formosa, sabia pôr-se no teu lugar e só abria a boca para soltar pequenas palavras na hora exata, olhava de maneira sutil todos os rostos que estavam a sua volta, com toda essa doçura perpetuada na pele, escondia a acidez e toda sua complexidade guardado no fundo do teu âmago. Odiava quando lhe diziam o que fazer, sentia-se mandada e subordinada a outros. Conversava com si mesma, sorria sempre e soltava uns gracejos com os amigos. Dizia que gostava de verde, mas só usava rosa, que amava sorvete de morango, mas só tomava de flocos, essa moça ninguém entendia, lacrimejava antes de dormir, chorava com gosto, quando lhe perguntavam o que tinha acontecido, respondia com toda rispidez tatuada na alma, “não foi nada.” Era lantejoula, era um brilho de pessoa, mas dentro de si um amargo se escondia. Moça bonita e olhos negros, que dizia gostar de rosas, mas o jasmim a encantava. A própria contradição em pessoa. Gostava de escuro para ouvir os pensamentos, os murmúrios de seus lamentos. Passava batom vermelho pra combinar, com as unhas que em detalhes lhe fazia mulher. Guerreira. Era forte. Não acreditava em destino, não acreditava em sorte. Era inspirada pelas músicas que o pai ouvia, era um pedacinho de cada moda que rolava. Mas o que mais impressionava nela era que no meio da incoerência do teu eu, continuava única. - Refugiadas
Não é flor que se cheire, já dizia sua mãe, completamente difícil de lidar, garota de personalidade forte. E quando colocava uma coisa na cabeça, não tirava de jeito nenhum. Teimosa até não poder mais. E se queria, queria logo, nada de demora com ela. Sempre foi assim ou oito ou oitenta, nada de meio termo. Perfeccionista em tudo que fazia, se não estivesse perfeito não lhe satisfazia. Moça dos vestidos floridos e da alma bela, por fora parecia um doce de menina, educada, formosa, sabia pôr-se no teu lugar e só abria a boca para soltar pequenas palavras na hora exata, olhava de maneira sutil todos os rostos que estavam a sua volta, com toda essa doçura perpetuada na pele, escondia a acidez e toda sua complexidade guardado no fundo do teu âmago. Odiava quando lhe diziam o que fazer, sentia-se mandada e subordinada a outros. Conversava com si mesma, sorria sempre e soltava uns gracejos com os amigos. Dizia que gostava de verde, mas só usava rosa, que amava sorvete de morango, mas só tomava de flocos, essa moça ninguém entendia, lacrimejava antes de dormir, chorava com gosto, quando lhe perguntavam o que tinha acontecido, respondia com toda rispidez tatuada na alma, não foi nada.” Era lantejoula, era um brilho de pessoa, mas dentro de si um amargo se escondia. Moça bonita e olhos negros, que dizia gostar de rosas, mas o jasmim a encantava. A própria contradição em pessoa. Gostava de escuro para ouvir os pensamentos, os murmúrios de seus lamentos. Passava batom pra combinar, com as unhas que em detalhes lhe fazia mulher. Guerreira. Era forte. Não acreditava em destino, não acreditava em sorte. Era inspirada pelas músicas que o pai ouvia, era um pedacinho de cada moda que rolava. Mas o que mais impressionava nela era que no meio da incoerência do teu eu, continuava única

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